A ingrata semiótica do amor

Ele me suplica com os olhos toda classe de adjetivos de amor. Não posso saciá-lo com palavras, respondo com o corpo.

Pernas, boca, língua, dor. Não falamos o mesmo idioma, não comemos no mesmo prato e ainda sim seus desejos me movem.

Quero dar um passo, dois, dez, mas a jaula da angustia é pequena demais pra nos dois.

Tento explicar com as mãos, acaricio seu ombro, seu braço, beijo seus dedos, derreto meus labios em sua mão.

Não entende. Quer palavras. Suplica de novo, com os olhos. Acende un cigarro, olha as estrelas, o teto não permite ve-las.

Ele baixa o olhar e estou de joelhos. Beijo seus pés.

Desapontado ele suspira. Sacrificios não o impressionam, ele quer palavras… fecho os olhos, peço três perdões a Deus e finjo dormir.

Ele fica alí, quer palavras de amor, aquelas da meia noite. Durmo.

Desperto de madrugada, asfixiada pela ingrata semiótica do amor.

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